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Jair Naves – 07/08/10

+ after show até o sol raiar com os Djs residentes Talitha, Poe Bellentani e Mario Bross tocando indie rock, eletro, shoegaze e pop.
• Horário: a partir das 22h.
• Preço: R$12 ou consumação de R$30
• Aceitamos: Visa / Mastercard
• Com banheiro para cadeirante e amplo espaço externo para fumantes.
• Somente maiores de 18 anos

www.myspace.com/jairnaves

Araguari, primeiro trabalho solo de Jair Naves, chega ao público na forma de EP em fevereiro de 2010. Na primeira audição e na passada de olhos pelos títulos das canções, percebe-se a homenagem à cidade que dá título ao trabalho e que fica ao norte do Triângulo Mineiro, celebrizada no cinema nacional pelo filme O Caso dos Irmãos Naves, sobre a prisão, tortura e morte de dois irmãos que confessaram um crime que jamais cometeram. Mas Araguari é também e principalmente um mergulho na memória do compositor, que passou parte da infância na cidade. As lembranças e experiências do músico conduzem as canções, por vezes, ao lirismo das modas de viola e à nostalgia invertida das lacunas de quem se viu à margem; em outras, à volubilidade de quem não acredita mais no amor, mas que se vê surpreendido pela paixão; finalmente, ao travo da injustiça e do desajuste que Jair parece ter herdado da história da cidade.
Em Araguari I (Meus Amores Inconfessos), primeira faixa do EP – em cuja introdução se ouvem, ao fundo, diálogos do supracitado O Caso dos Irmãos Naves – a linha de baixo e a da melodia vocal aludem à música sertaneja de raiz, conferindo à canção o lirismo típico da região. O arranjo como um todo, entretanto, renova o gênero e lhe confere atualidade, fazendo que Araguari I (Meus Amores Inconfessos) seja a ponte musical e temporal entre a inocência perdida na cidade, de um lado, e a avaliação presente que Jair faz das experiências vividas, de outro. Duas faces da mesma moeda, face e reflexo invertido no espelho: é por meio das brigas compradas, das canções entoadas e dos amores inconfessos do título que a vida de hoje é investigada, como se a Araguari da infância, no que lhe faltava ou sobrava, orientasse o sentido da vida presente.

Silenciosa é fortemente marcada pela parceria vocal com Júlia Frate e pelo arranjo simples, apenas com violão e piano. É a canção da fratura amorosa, mas sem os exageros da paixão. O que se ouve é um eu conformado, desacreditado do amor, mas que acaba por pacificar-se por constatar que “se não deu certo com a gente, acho que nunca vai dar”. Não é exatamente a separação que aflige, mas o fato de ela ter sido consensual, sem discussões, civilizada: o eu que canta não se reconhece ao experimentar uma crise sem arroubos extremos. Daí que a canção, além de lamentar o divórcio com o outro, evidencia o estranhamento do eu com ele próprio – e outra vez é o universo subjetivo e íntimo que orienta as avaliações da realidade objetiva.
Em De branquidão hospitalar, queimando em febre, eu me apaixonei, a desesperança da faixa anterior é substituída por uma paixão febril, em que o eu se confunde, em todos os níveis da canção, com o você. Com um arranjo à moda da década de oitenta, esse amálgama idealizado se manifesta no título, com a impressão de que quem tem febre – e delira – é o eu, ao contrário do que se observa nos primeiros versos, em que o você é que faz o papel de “demônio enfermo”. O espelhamento entre os amantes também se revela claramente em “O que em mim você reconhece, eu reconheço em você” e no backing vocal feminino repetindo ao fundo a frase “não estou só”.
Mas é em Araguari II (Meus Dias de Vândalo) que desponta largamente a entoação vocal de Jair Naves, equilibrando-se entre a canção e a declamação poética, para fazer perceber o ser sensível que está por trás da voz que canta. A letra retoma a sensação subjetiva do desajuste e da inaptidão, além da falência da relação amorosa que vimos nascer inusitada na canção anterior. E a conclusão não poderia ser diferente, já que a cidade que dá título ao trabalho parece ocupar todos os espaços e todos os tempos, ainda que de forma implícita: “Talvez fosse preferível / que eu nunca tivesse saído / de onde eu nasci, / de Araguari”, em que a cidade mineira da infância, ainda que distante, serve mais uma vez de ponto de fuga ou de perspectiva, delimitando as impressões no presente urbano do já decênio século vinte e um.
Há uma gota de Álvaro de Campos, heterônimo do português Fernando Pessoa, especialmente na última canção, como se o sujeito poético de Jair relesse a Tabacaria e as duas Lisbon Revisited e compusesse, à sua moda, de viola ou de guitarra elétrica, o imaginário pessoal cujo espelho é sempre uma Araguari, ao mesmo tempo, distante e presente, da infância e da vida madura, da falta e da completude. Finalmente: a Araguari deste mesmo Jair Naves da São Paulo de 2010 e de um outro, o que deixou a inocência na cidade mineira e que recupera, apresenta e confessa os fragmentos e desajustes de si próprio nas canções de Araguari.
Texto por Rogério Duarte.
Quem
Jair Naves
Quando
Saturday, August 7, 2010
22:00 - 18+
Onde
R. Aparecida, 737 | Vila Santana
Sorocaba, SP, Brasil 18095-000

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