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RockJunino: Charme Chulo – 25/06/11


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+ discotecagem antes e depois do show com os Djs residentes Talitha, Poe Bellentani e Mario Bross.
• Horário: a partir das 22h.
• Preço: R$12 ou consumação de R$30
• Aceitamos: Visa / Mastercard
• Com banheiro para cadeirante e amplo espaço externo para fumantes.
• Somente maiores de 18 anos

PROMO: Tuite a frase oculta e concorra a VIPS

Pode faltar quentão, mas junho no @asteroidbar tem que ter o rock rural do @charmechulo: http://kingo.to/Gqo

Marvado rock caipira

Por Luiz Rebinski Junior

Se você vai escutar Charme Chulo pela primeira vez, eu o invejo. Não é todo dia que se tem a revelação do primeiro encontro com uma banda tão original. Em um tempo em que tudo parece já ter sido feito na música – e na seara do rock esse sentimento é ainda mais presente –, o Charme Chulo é um sopro de renovação em um cenário que se acostumou com mais do mesmo.
Depois de angariar um séquito fiel de fãs em Curitiba, sua cidade natal, o Charme Chulo assombrou mestres da crítica brazuca, como Kid Vinil e Fabio Massari, com a fusão inusitada de música caipira e rock oitentista presente em seu homônimo disco de estreia, lançado em 2007.
Ali, Johnny Marr se juntava a Pena Branca e Xavantinho para uma improvável jam, uma mistura possível apenas por meio das mãos habilidosas e inventivas de Leandro Delmonico, o guitarrista e violeiro do quarteto curitibano, que ainda conta com Igor Filus (vocais), Peterson Marconi (baixo) e Rony Carvalheiro (bateria). Músicas como “Mazzaropi Incriminado”, “Polaca Azeda” e “Solito a Reinar” juntavam, a um só tempo, o charme de guitarras estilizadas, com riffs irresistíveis, ao lirismo brejeiro dos sons interioranos. Uma fusão inusitada que resultou em um rock dançante, inteligente e altamente original. Essas músicas, de imediato, viraram hits locais, cantados em uníssono nos bares de Curitiba.
Isso bastou para que o grupo ganhasse fama além da terra dos pinheirais e fosse alçado ao patamar de grande revelação e promessa do rock independente nacional, passando a tocar em vários festivais importantes do país.
Agora, dois anos depois da arrebatadora estreia, a banda, mais azeitada e segura, potencializa ainda mais as misturas experimentadas no disco anterior. Nova onda caipira, o segundo álbum, radicaliza ao propor um som ainda mais charmoso e chulo, mais rock e mais caipira, tudo-ao- mesmo-tempo-agora. Duvida? Então aperte o play e verás. A faixa de abertura, “Moda do Acerto”, como o próprio nome sugere, é uma moda de viola irreverente (como os melhores exemplares do gênero) que poderia fazer parte do repertório de qualquer disco de Tião Carreiro & Pardinho, uma dupla tão importante para a banda quanto Morrissey/Marr.
Os mais rockers, no entanto, não foram esquecidos. “Fala comigo, Barnabé” retoma o rock dançante que já é uma marca da banda, com Leandro subvertendo mais uma vez a função original da viola caipira, botando-a pra trabalhar a serviço do rock nacional. A letra da música, cantada alternadamente entre o vocalista Igor Filus e o restante da banda, lembra os backings celebrizados pelo Ultraje a Rigor, outra referência, em músicas como “Rebeldes Sem Causa”.
“Três Marias” segue no lastro do pop caipira institucionalizado pelo Charme Chulo e “Nova Onda Caipira”, faixa que dá nome ao disco, é um petardo pop capaz de animar qualquer pista de dança. Qualquer banda que se preze do rock nacional, seja independente ou não, não importa, estaria bastante satisfeita por ter em seu repertório as quatro faixas que abrem Nova Onda Caipira. Tenho certeza disso.
As composições do grupo, escritas em sua maioria pelos primos Igor Filus e Leandro Delmonico, se equilibram entre ácidas e nada ingênuas críticas sociais (“O Brasil não combina com guerra/ mas combina com Rio”, de “Brasil Sacanagem”) e angústias urbanas (“Na canção do caboclo a sossegar/Onde há noites frescas com o luar do sertão/ É lá que vão me enterrar”, em “Galo Maringá”). Esta última música fecha o disco com uma letra primorosa, uma ode nostálgica em homenagem àqueles que saíram de sua terra e desejam retornar. Alguma coisa a ver com os filmes de Mazzaropi?
Se as melodias do grupo tem um pé nos anos 80 e outro no barro vermelho do interior do Paraná, as letras flertam de modo perigosamente feliz com o minimalismo dos contos de Dalton Trevisan, com a estética urbana dos romances de Cristovão Tezza e com o provincianismo inerente a qualquer curitibano bebedor de LEITE QUENTE. E, assim como os grandes livros dos autores preferidos dessa turma, o Charme Chulo traz para suas canções o mundo real, sem distorções. Em Nova Onda Caipira encontramos o comezinho, as pequenas alegrias e desventuras do cotidiano. O rock a serviço da vida. Ou seria o contrário?
Talvez por isso a banda tenha uma quedinha pelo brega, pelas polaquinhas do interior e as novelas nada exemplares. Se no primeiro disco a música “Amor de Boteco” adicionava uma pegada AM ao som moderno da banda, em Nova Onda Caipira o lado Odair José do grupo se revela em outras músicas de pegada canastrona, como “Borboleta de Porcelana” e “Vida Moderna”, esta última com a inclusão de um acordeon “gauchesco”, que faz o Charme Chulo soar como a mais animada das “bandas de baile”. Enfim, o Charme Chulo é movido pelo mais primitivo conceito do rock: ousadia.
Mas o êxtase só será completo se você, depois de escutar Nova Onda Caipira, puder ver esses caras ao vivo, sem maquiagem, com a mão na massa, camisa xadrez e chapéu de palha na cabeça. Espécie de Ian Curtis dos pinheirais, o vocalista Igor Filus e seu entusiasmo valem tanto quanto a música que ele, de forma intensa, canta. Na cozinha, o baterista Rony Carvalheiro trata de criar outro contraponto à estética caipira, tocando sua bateria como se estivesse em uma garagem com uma barulhenta banda punk. E, para equilibrar a bagaça, está a postos Luciano Assumpção com seu competente baixo.
Há anos, talvez décadas, escuta-se, aqui e ali, que o rock morreu. Às vezes tendo a acreditar. Mas quando surge uma banda como esse quarteto de Curitiba, as coisas começam a clarear. Tenho certeza que, se a cada um ou dois anos, surgisse uma banda com a originalidade do Charme Chulo, o rock estaria salvo pela eternidade. Então, rapazes, continuem! Pelo bem desse senhor que se chama rock and roll.

Quem
RockJunino: Charme Chulo
Quando
Saturday, June 25, 2011
22:00 - 18+
Onde
R. Aparecida, 737 | Vila Santana
Sorocaba, SP, Brasil 18095-000

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One comment

  1. Hoje é dia de Rock Junino com @CharmeChulo: http://migre.me/57gyK Diversão certa!

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