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Foto: JNKTR/Divulgação

Foto: JNKTR/Divulgação

Banda sorocabana lançou o registro de estreia em julho de 2014.

Por Renan Pereyra

Beleza e tristeza sempre andaram de mãos dadas. Não pude deixar de me lembrar dessa velha teoria empírica quando ouvi os primeiros acordes de Justine Never Knew The Rules, EP de estreia da banda sorocabana de nome homônimo. Ou simplesmente JNKTR, se preferir. Lançado oficialmente em julho de 2014, o trabalho foi produzido pelo próprio grupo ao melhor estilo ‘Do It Yourself’ e conta com três canções que fazem jus ao nome da banda, retirado da canção “1979”, do Smashing Pumpkins. Em tradução livre: “Justine Jamais Conheceu As Regras”.

E apesar de nunca terem conhecido as regras, os três rapazes da Manchester Paulista (Maurício Barros, Bruno Fontes e Marcel Marques) sabem como poucos juntar o útil ao agradável: cozinha bem entrosada, guitarras explosivas e vocais melancólicos marcam com destreza este primeiro registro da JNKTR.

Contando com influências de peso, que vão de The Velvet Underground a Tame Impala, o trio se caracteriza pelos shows potentes e pela formação desregrada (com o perdão do trocadilho), com os integrantes se revezando nos instrumentos durante as apresentações. Apesar da estética marcante, a alternância veio por necessidade: como jamais conseguiram encontrar um baterista com os mesmos ideais, os caras optaram mais uma vez por quebrar os paradigmas.

“Isn’t So Hard”, faixa de abertura do EP, é marcada por uma poética frase de baixo e vocais psicodélicos, ao melhor estilo Kevin Parker. Apesar das guitarras se apresentarem mais suaves aqui, aos quatro minutos a música recebe um solo altamente chapado e volumoso, vindo muito provavelmente das profundezas do inferno do shoegaze noventista. Vale lembrar que o grupo cita ainda entre as fontes de inspiração bandas como My Bloody Valentine e a brasileira Boogarins, referências bem perceptíveis no disco.

A segunda faixa, “Red Lipstick”, traz as bárbaras distorções já características do grupo. A canção soa meio que como uma fusão do Jesus And Mary Chain com o Sonic Youth, mas sem deixar a originalidade de lado. Os vocais arrastados e a bateria marcada deixam a música emocionalmente bem carregada e também trazem a tona nomes mais recentes do gênero shoegaze/post-punk, como Wild Nothing, Yuck e Hebronix.

“When You Least Expect It”, última faixa do álbum e a minha preferida, é sem dúvidas a mais triste e bela do disco. Com uma introdução que remete a “Dois Corações e o Sol”, do Wry (consagrada banda sorocabana que viveu parte de sua história na Inglaterra), é o tipo de música que você dificilmente consegue escutar uma única vez. As guitarras demasiadamente melódicas se encaixam perfeitamente com os vocais suaves, causando assim uma sensação muito confortável – apesar da injeção de melancolia.

O único ponto negativo do EP é o curto tempo de duração, mas nada que apague o brilho deste registro. Independente dos rumos que a Justine Never Knew The Rules vai tomar daqui pra frente, com o lançamento a banda surge como uma das grandes surpresas do rock alternativo nacional em 2014. E que de preferência continuem não levando as regras tão a sério.