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Opinião: Mario Bross comenta a extensa turnê do Wry em 2016

Confira artigo escrito pelo guitarrista/vocalista da banda sorocabana.

Por Mario Bross | Fotos por Hannah Carvalho

Olá, pessoal! Em novembro terminamos a turnê na qual divulgamos o nosso primeiro vinil de 12 polegadas. Foram 45 shows em 7 meses, passando por mais de 40 cidades diferentes. Tivemos uma experiência fantástica tanto com uma galera nova, quanto com a galera mais experiente no rolê. O WRY voltou há dois anos e desde então vem redescobrindo o circuito. Nesse período foram 90 shows, incluindo 9 na Europa no ano passado. Para aqueles que não sabem, a banda começou no meio da década de 1990, tocando muito pelo Brasil até 2001 e se mudou para Inglaterra onde residiu de 2002 a 2009, só voltando ao Brasil 3 vezes para fazer turnês, totalizando mais ou menos 45 shows por aqui nos 7 anos morando fora. Ou seja, pouco. Além de ficar dois períodos sem lançar nada físico por aqui, incluindo o hiato da banda de 2010 a 2014. Falo isso para ilustrar a importância que está sendo pra gente sair por aí, tocar em cidades que nunca fizemos shows, para públicos que também nunca nos viu ao vivo.

Aqui quero falar um pouco de como foi essa turnê, o que foi bom, o que pode melhorar, dar algumas dicas para quem quer cair na estrada, e também para produtores, técnicos de som, bandas e donos das casas que tocamos. Acho que isso pode ajudar de alguma forma. Entre nós quatro da banda, a experiência no entretenimento é bem grande, atuamos em todas as áreas que compreendem um bar, festas e shows, tanto no Brasil como na Inglaterra por vários anos.

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Uma coisa legal que notamos é o quanto ter produtos para vender é sensacional. No nosso caso, isso significou quase 50% de nossos ganhos. Tínhamos camisetas, vinis, cds, posters, bottons e adesivos. É importante não ter preguiça para montar a “banquinha”, seja pra 20 ou 200 pessoas. Nos 45 shows, sem contar as vendas online, vendemos 103 vinis, 182 cds, 149 camisetas, 145 bottons e 98 posters. E 127 adesivos, que foram cortesia em sua maioria. Fizemos esquema de combo também, com desconto para quem comprava um item de cada. O público percebe a sua atenção com o produto e isso faz ele querer comprar mais. Ah, 60% das vendas foram feitas com cartão, usamos uma maquininha chamada SumUp, na qual os juros são os mais baixos do mercado. Tudo isso, aliado a um show legal, conciso e curto, com as melhores músicas e a interação com o público, melhora ainda mais a venda dos produtos. Um dado interessante é que nos shows onde tocávamos mais cedo eram os que vendíamos mais. Isso aconteceu na maioria dos locais, pois foram poucos que rolaram o show mais tarde. Acho que isso se deve ao fato de que as pessoas ficam mais atentas à banda quando os shows rolam mais cedo.

Percorremos um total de 22480 km (carro 17478 km e avião 5002 km), sem contar o que rodamos dentro das cidades. Pra fazer tudo isso usamos o mesmo carro, que tinha bagageiro pra gente levar nosso equipamento. Dividimos a pilotagem para criar uma dinâmica boa e não ficar cansativo. E funcionou muito, mesmo depois de todos esses anos, não tivemos stress, rolou tudo super bem.

Gostamos muito do que vimos nesse rolê, a vontade de muitas pessoas em se organizar, parece que todos estão um pouco mais próximos, mesmo cada um na sua cidade, na sua região. Parece clichê falar isso, porque é óbvio, mas o que quero dizer é que essa proximidade está mais orgânica, não fica só na internet. Essa turnê nos trouxe muita inspiração, muito gás e energia para criar mais coisas aqui em Sorocaba e com o WRY.

Na nossa opinião, o que poderia melhorar, e isso foi sentido em alguns locais, mas escrevo de uma forma geral, seria tratar o show alternativo com profissionalismo. Inclusive as bandas precisam levar mais a sério todos os aspectos do show, isso só vai melhorar para o futuro. A produção tem que saber que cada banda tem a sua peculiaridade, seu jeito de tocar, posição no palco. Falando de palco, esse não pode ser engessado, a não ser que seja impossível. O técnico de som da casa precisa ver o mapa de palco da banda antes e analisar, deixar as coisas montadas com antecedência, fazer a sua parte. O sistema de som precisa estar funcionando por completo. A mesa de som precisa ficar na frente do P.A., para que o técnico consiga ouvir o som com clareza do ponto de vista do público e fazer as mudanças no som com agilidade durante o show. Muitas vezes nosso técnico precisava ficar correndo pra lá e pra cá devido ao mau posicionamento da mesa, fazendo com que a passagem de som ficasse demorada e cansativa. Ter um tablet para uso no som é uma alternativa caso o reposicionamento da mesa não seja possível.

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Nos eventos do Facebook, cartazes e em qualquer divulgação, os horários precisam ser os reais e a casa precisa abrir no horário informado nessa divulgação, não pensar que o público é sempre o mesmo, pois cada banda tem um público diferente e muitas vezes pode nem conhecer o bar para saber das suas “tradições”. Aliás, não se proteja no “aqui é assim”, isso pode ser seu maior inimigo. Os horários dos shows pré-estabelecidos devem ser respeitados também, sem esperar pra chegar mais gente. Um atraso de 15 minutos é aceitável, mas mais do que isso pode ser muito ruim tanto para a banda que toca em seguida quanto para todo o evento no geral. O público aprende com o tempo sobre horários e quem comanda a organização de um evento é o dono da casa ou o produtor, não é o público ou a falta de público.

Entendemos que, assim como as bandas, cada cidade ou bar tem suas peculiaridades também, isso não tem problema, mas na hora de divulgar coloque a realidade de como vai funcionar a noite. Não há problema algum se o equipamento é simples, o importante é o profissionalismo e querer fazer o negócio da melhor forma possível e que todos estejam cientes. Detalhes precisam ser trocados entre as bandas, produtores e o local do show, isso só faz o evento ser melhor.

É importante lembrar que todos estamos querendo que tudo funcione bem ou razoavelmente; e temos certeza de que isso vai acontecer. Porque na minha opinião já melhorou muito, cresceu e as pessoas estão com muita vontade de fazer tudo da melhor forma possível. Ao final de todos esses shows nos sentimos bem felizes com o que está rolando no circuito.

Para finalizar, queremos agradecer todo mundo que fez o possível e impossível para fazer acontecer o show na cidade, todas as bandas, bares, produtores, promoters, DJs, amigos, fãs, jornalistas e blogueiros que falaram da gente, a ReverbCity que nos deu um patrocínio super cool, nossos fornecedores de bottons, adesivos, posters e camisetas, as labels Monstro e Sonovibe, Rogério Garcia e Fabricio Vianna, que trabalham com a gente, Luitz Terra que desenhou um dos pôsteres, André Zanini pelas artes finais, todos do WRY, João Antunes, nosso técnico, espero não estar esquecendo de ninguém!

Nos acompanhe, porque 2017 será flutuante!

X Mario X Lu X Italo X William X João X

wry

2 Comentários

  1. Janabiggs

    Nossa nem preciso dizer nada sem palavras, deu ate vontade de fazer parte da Banda com tanta essa energia de vcs, Parabens e continuem assim, vcs São inspiraçōes pra muita galera Alem de ser uma das bandas mais legal que conheço, super beijo e espero ver um show logo e comprar vinil, cd, camiseta, bottoms,posters, fits cassette, chanforlendes, 😍😍

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  2. Caio Augusto

    Coisa linda <3
    Arregaçam no palco e se preocupam em construir uma cena sustentável e colaborativa.
    Longa vida ao WRY!

    Responder

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