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Domingo autoral com Justine Never Knew The Rules, Ventre e Inky. Veja resenha e fotos!

Bandas movimentarem mais uma tarde sorocabana regada a boa música.

Texto: Renan Pereyra | Fotos: Fabricio Vianna

Os domingos no Asteroid vêm se consolidando como dias para celebrar e curtir bandas autorais. Só neste início de ano já tivemos shows do Hateen, Satya, Driving Home e Iníbia, na This Is Hardcore; Incesto Andar, Walkstones e Terno Rei, na semana passada; e no último domingo (12 de fevereiro) foi a vez das bandas Justine Never Knew The Rules, Ventre e Inky pisarem no nosso palco.

Cheguei um pouquinho atrasado e perdi as duas primeiras músicas do JNKTR, o que me fez ficar puto, já que se tratavam de duas que eu gosto bastante: “French Film Girl” e “Cat Song”, ambas do Overseas, disco mais recente do quarteto que resenhamos aqui. Não me deixei abater. Pedi a primeira cerveja para o companheiro Fred, encostei-me por ali mesmo e logo comecei a encontrar os amigos. Dividi minha atenção entre eles e o palco, que parece ficar pequeno em todo show da Justine.

Aí vieram “16” – uma das últimas músicas compostas pelo grupo – e a linda e melancólica “Just Like Yesterday”. Diferente da última passagem da banda pelo Asteroid, essa ocorreu sem quaisquer problemas técnicos. E foi sem dúvidas uma das apresentações mais impecáveis que vi dos caras: alta, potente, desregrada, mas tudo sob controle. A penúltima do set foi o hit shoegaze nacional “Coming Down”, muito bem recebida pelo público, que não desgrudou os pés da pista um só instante.

A despedida veio com uma faixa nova, que tem uma pegada interessantíssima, intitulada “Polar Bear (Hibernation Song)”. A música começa com uma levada indie que remete ao Silversun Pickups ou algo do tipo, mas depois de diferentes passagens cai numa barulheira desgraçada, resultando num space rock da melhor qualidade. Já no final ensurdecedor não dá pra não lembrar das apresentações do My Bloody Valentine ou do Sonic Youth, referências clássicas da banda, em meados dos anos 90. Confira o setlist e algumas fotos do show abaixo.

1. French Film Girl
2. Cat Song
3. 16
4. Just Like Yesterday
5. Coming Down
6. Polar Bear (Hibernation Song)

Leia também: 150 discos fodásticos que fizeram a nossa cabeça em 2016

Não demorou muito até a performática Ventre dar as caras e fazer o público pirar ao som de “De Perto”. Formada por Gabriel Ventura (guitarra/voz), Hugo Noguchi (baixo) e Larissa Conforto (bateria/voz), a banda se destaca pelas apresentações enérgicas e discursos politizados. Todas as faixas apresentadas no show estão no disco Ventre – 抱きしめ と キス, que marca a estreia do trio carioca que já nasceu grande. Apenas duas ficaram de fora: “Peso do Corpo” e “A Parte”. Ouça o registro na íntegra aqui.

A apresentação seguiu com faixas como “Quente”, que também conta com um belo clipe, “Bailarina” e “Carnaval”. É difícil descrever a música do Ventre. Mas eu lembro de uma definição do meu amigo Maurício Barros (guitarrista do Justine), logo após o show, que ficou na minha cabeça: uma mistura de INI com Los Hermanos. Pra quem não conhece, INI é uma banda sorocabana que flerta com diversas vertentes do rock e é tida como um dos principais nomes da famigerada Manchester Paulista. Já o Los Hermanos, talvez muito pelo belo timbre carioca de Ventura (sobrenome sugestivo?).

Mas ainda é possível ir além e encontrar outras inspirações clássicas no som, como o stoner do QOTSA, o heavy blues do Hendrix e, especialmente, o rock espiritual do Jeff Buckley (♥). Pesquei essa referência durante o show e, ao pesquisar posteriormente, descobri que estava realmente certo (clique aqui se quiser entender). Voltando à performance, em diversos momentos Larissa mandou um discurso forte, emocionando o público: sobre seu papel como mulher na música, sobre o machismo diário, sobre a perseguição às minorias e contra o presidente ilegítimo, Michel Temer. Lindo!

Para encerrar, a banda tocou três faixas de destaque do debut album: “Ali”, que tem um instrumental foda pra caralho, a pesada “Mulher” e a dissonante “Pernas”. A energia dessa última fez com que até mesmo as almas menos empolgadas da noite se pusessem em movimento. Bateria martelada, baixo estrondoso e linhas de guitarras desordeiras e ruidosas fecharam o caixão. Incrível como um trio pode soar tão barulhento quando se empenha nisso. Confira abaixo a lista das músicas tocadas e fotos da Ventre.

1. De Perto
2. Quente
3. Bailarina
4. FR
5. Carnaval
6. Aperto e um Beijo
7. Ali
8. Mulher
9. Pernas

Por fim, foi a vez da Inky subir ao palco. A banda conta com diversas passagens pelo Asteroid e também tem como característica apresentações elaboradas e pouco óbvias. Apesar do disco mais recente, Animania, ter sido lançado em 2016, o grupo optou por mais canções do álbum de estreia, Primal Swag, no repertório. A abertura veio com a dark “Fish Delay”, marcada por viajantes sintetizadores e pelo vocal potente de Luiza Pereira.

Ainda do primeiro disco, a banda tocou a experimental “Tricky Manners”, a sensual e frenética “Coincide” e o hit “Echoes In The Grove”, que abre o registro e funde pós-punk com um groove bem sacado. A essa altura os fãs já se mostravam bem empolgados, mas a euforia foi coroada mesmo na sequencia, com “Parallax”, música do Animania bem conhecida no meio underground. Impossível não destacar aqui a performance do guitarrista Stephan Feitsma, que me remete muito ao John Frusciante do início dos anos 90, principalmente pela forma de tocar. “Ice-O-Lator”, marcada por uma cozinha poderosa comandada por Guilherme Silva (baixo) e Luccas Villela (bateria), também foi um dos destaques.

Do mesmo álbum, rolou ainda a progressiva “Skinned Alive” e a pesada “Devil’s Mark”. A apresentação foi encerrada com outra bastante agitada do Primal Swag, intitulada “Baby, Reptile”. Bom pra caralho! Como nas outras passagens por aqui, a Inky se despede com mais um show marcante. E esperamos que retornem o quanto antes. Abaixo você pode conferir o setlist da banda, fotos e também ouvir ambos os discos citados nessa resenha.

1. Fish Delay
2. Tricky Manners
3. Coincide
4. Echoes In The Grove
5. Parallax
6. Ice-O-Lator (echos
7. Skinned Alive
8. Devil’s Mark
9. Baby, Reptile

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