Escolha uma Página

Asteroid Entrevista: Plutão Já Foi Planeta

Banda de Natal (RN) se apresenta no Asteroid neste domingo.

Por Renan Pereyra

Natal (RN) tem se mostrado cada vez mais um grande polo da música alternativa brasileira. De lá saíram grandes nomes, como Far From Alaska, Camarones Orquestra Guitarrística, Mahmed e Simona Talma. Na mesma cidade, nasceram também as bandas Plutão Já Foi Planeta e Androide Sem Par, que tocam no Asteroid nesse domingo (2 de abril), a partir das 17h30, em mais um final de semana em que celebraremos a boa música autoral.

Com apenas três anos de estrada, a Plutão Já Foi Planeta – formada por Natália Noronha (voz/baixo/synth), Sapulha Campos (voz/guitarra/ukulele/escaleta), Gustavo Arruda (voz/guitarra/baixo), Vitória de Santi (baixo/synth) e Khalil Oliveira (bateria) – tem se tornado um dos destaques da cena nacional, principalmente após grande visibilidade conquistada no programa SuperStar, da Rede Globo. São dois discos na bagagem: Daqui Pra lá (2014) e A Última Palavra Feche a Porta (2017), que acaba de sair do forno.

Aproveitamos esse momento especial e a primeira passagem da banda por Sorocaba-SP para trocar uma ideia sobre o novo registro, sobre música independente e sobre as reviravoltas da vida. Todas as perguntas foram respondidas por Nuno Campos, mais conhecido como Sapulha. Confira o bate-papo e não deixe de ouvir o discão abaixo.

Asteroid: A Última Palavra Feche a Porta, disco mais recente da banda, foi lançado pelo selo Slap (Som Livre) e tem produção do grandioso Gustavo Ruiz. Como foi trabalhar com essa galera e como tem sido a repercussão do disco?

Sapulha: Foi uma experiência incrível. A gente costuma dizer que existe o Plutão antes e o Plutão depois do Gustavo Ruiz. A produção dele deu uma grande valorizada nas nossas composições. Sem falar do aprendizado gigante que foram esses meses com ele. A Slap entra em campo pra somar e amplificar nosso trabalho. Somos muito alinhados, em trabalho e em linha de pensamento, o que facilita e deixa tudo mais legal.

Pelo o que entendi, parte dos recursos do álbum foram arrecadados através de financiamento coletivo. Vocês acham que essa coletividade que a web proporciona é o caminho para o rock independente no Brasil?

É uma ótima alternativa. Além do financiamento em si, traz o público pra mais perto da gente. As vantagens vão além do dinheiro. Conseguimos movimentar muita gente, gerar proximidade, visualizar nosso público de maneira mais clara. Diria que é um caminho não só pro rock, mas pra outras vertentes musicais e artísticas. Tem muita gente usando esse método pra gravar álbum, viajar com peça de teatro, gravar curta. Tem muita coisa rolando.

Qual a principal diferença entre o novo disco e o anterior, Daqui Pra Lá (2014)?

O Daqui Pra Lá foi um disco gravado sem pretensões. Eramos cinco amigos com algumas composições. Decidimos gravar sem plano, praticamente sem intenções. Isso gera consequências de produção, por exemplo. As gravações foram rápidas, até pela grana ser curta também. Claro que existe um lado bom. O álbum é cru e sincero, mesmo com seus problemas técnicos. O segundo disco foi feito com mais zelo, mas com a mesma alma.

A Última Palavra Feche a Porta é um título bem curioso. Qual o significado?

Queríamos um nome que definisse bem o tema da saudade. Esse nome mostra uma situação que antecede o momento que a saudade começa. Em uma despedida existe a última palavra, a saída pela porta. Meio como se fosse uma captura desse último momento através da linguagem escrita. O último segundo.

E vocês gravaram um clipe massa para “O Ficar e o Ir da Gente”, com um roteiro bem bacana. Vocês mesmos o desenvolveram?

Não. O roteiro é todo de Henrique Fontes, ator, diretor, roteirista lá de Natal. Um cara muito reconhecido no meio teatral. Quando pensamos em fazer um clipe, pensamos primeiro nele. Ele trouxe a ideia, alinhamos com a banda, todo mundo adorou e topamos fazer.

O novo disco também impressiona pela versatilidade musical, com dezenas de instrumentos gravados e sacadas bem peculiares. Como se deu esse processo e como funciona o processo de composição na banda?

As composições são feitas por Natália, Nuno Campos (Sapulha) e Gustavo. Com os esqueletos prontos, levamos pra banda e arranjamos em estúdio. Sempre tentamos captar a essência das músicas pra que os arranjos sejam coerentes. É um processo de experimentação no estúdio. Testamos arranjos até bater aquela aprovação de todos.

Li que a banda começou tocando covers de grandes nomes da música popular brasileira. Vocês ainda são muito influenciados por esses artistas/bandas? O que andam ouvindo de novo?

Na verdade a gente nunca foi muito de fazer cover. Existiu uma banda cover antes (Sapulha e Gustavo) e depois uma decisão fazer um trabalho autoral. No Plutão mesmo só rolou cover no comecinho da banda e por não termos músicas suficientes pra preencher um show. Vai aí uma lista do que tá rolando ultimamente na banda: Bon Iver, The Do, Strokes, Elza Soares, Syd Matters, John Frusciante, Warpaint, Albert Hammond Jr, Vulfpeck, Supercombo, Milo Greene, Solange, Céu, Baiana System, Carne Doce, Far From Alaska. E muitas outras que esquecemos agora.

Como vocês enxergam a cena independente no Brasil hoje. Estamos em um bom momento?

Tem altos e baixos. Existe um ótimo espaço hoje pra aparecer, mas também existe um péssimo momento pra se manter. Estamos em um momento ótimo de novos nomes e cada dia tem mais. O cenário, mercado mesmo, que não colabora muito. Existe dificuldade pra marcar show, pra levar público, etc. É um trabalho constante, difícil, mas que tá todo mundo junto na batalha.

E a cena potiguar tem sido referência no país nos últimos anos. Que outras bandas/movimentos/ações daí vocês podem nos recomendar?

A cena potiguar está maravilhosa. A lista é extensa e já pedimos perdão por algum possível esquecimento: Joseph Little Drop, Uma Sra. Limonada, Talma e Gadelha, Camarones, Luisa e os Alquimistas, Dusouto, Mahmed, Igapó de Almas, Sueldo Soaress, Khrystal, Camila Masiso, Dani Cruz.

A Última Palavra Feche a Porta contou com participações de peso, como Liniker e Maria Gadu. Como rolou contato com essa galera e como foi trabalhar com artistas tão incríveis?

Pensamos, primeiramente, que teria uma grande identificação com essas músicas que escolhemos para as participações. Depois disso, falamos com o Gustavo Ruiz e ele fez a ponta pra gente. Eles curtiram a ideia e aceitaram entrar no nosso disco.

A Plutão Já Foi Planeta já participou de programas de TV, como Talento Potiguar e SuperStar (Rede Globo). O que mudou para a banda essa exposição em rede nacional?

Tudo. Ganhamos uma vitrine enorme com essa exposição e isso abriu portas pra que pudéssemos mostrar nosso trabalho pelo Brasil. Hoje temos gravadora, mais shows, etc.

Pra finalizar…. essa será a primeira apresentação de vocês no Asteroid e creio que em Sorocaba-SP. Já ouviram falar ou sabem algo sobre a cena daqui? Qual a expectativa pro show de domingo?

Dia desses teve um show da Paula Cavalciuk lá em Natal e foi muito elogiado. Ontem mesmo estávamos comentando sobre ela. Todas as bandas amigas falam que show em Sorocaba, principalmente pelo Asteroid, é algo bem legal. Estamos bem empolgados. Aceitamos recomendações também de mais nomes daí, hein?

Diga algo! Adoramos saber a sua opinião.

Pin It on Pinterest